segunda-feira, 21 de março de 2011

Laços

Tive os melhores amigos que uma criança poderia querer.
Amigos que estavam comigo em quase todas as áreas da minha vida, na escola, no clube, na igreja... onde eu estivesse eles estavam, e passei grandes fases da minha vida compartilhando com eles as risas, as brincadeiras de boneca, de pega-pega de qualquer coisa, mas eles sempre estavam ali.
Havia também os amigos que eram amigos dos meu pais, e assim estavam sempre perto, feriados, acampamentos, churrascos, natais... Nossa é dificel lembrar algo de importante onde eles não estivessem. E era muito bom! Era como se eles fossem os parentes que nós podiamos escolher. Acho que tem uma frase mais ou menos assim que diz que amigos são os parentes que o coração escolhe... ou não, minha memória não é tão boa.
Cada amigo que eu tinha parecia suprir uma parte da minha vida, uns gostavam mais da natureza, outros mais de conversar, outros se achavam os santos casamenteiros, outros simplesmente era ótimo ter ele por perto mesmo que não falassem nada, e outros era impossivel estarmos juntos e não falarmos nada. Tinha os que faziam parte do grupo desde o início e haviam aqueles que foram se agregando, mas o mais engraçado é que parece que eles sempre fizeram parte do grupo, como se estivessem programados a estarem ali. Agradeço a Deus por fazer essas pessoas parte da minha vida e à meus pais que me permitiram tê-los sempre por perto... E a eles que me aturavam mesmo eu sendo uns bons anos mais nova e imatura que eles.
As circunstâncias da vida as vezes nos afasta das pessoas que queriamos mais ter por perto. Hoje eu sei que eles estão bem, que também sentem falta daquele convívio mas não os tenho tão perto. E por muito tempo fiquei conhecendo pessoas superficialmente e sempre tendo medo de qualquer tipo de aproximação, talvez só por egoismo, não queria compartilhar situações maravilhosas com mais ninguém, só queria as lembranças daqueles meus primeiros amigos. Ou talvez por medo de apagar de alguma forma aquelas memórias.
Hoje eu sei que amizade verdadeira como aquela, não se apaga, e que podem vir pessoas maravilhosas e especiais, e estas poderão ter um espaço no meu coração, mas que o espaço que está a anos para aqueles queridos amigos sempre vai estar lá, ou do mesmo tamanho OU maior.
O coração não têm espaço limitado, o que sentimos pelas pessoas pode ser imenso ou do tamanho de um grão de mostarda, o coração se adapta a quantidade de amor que doamos e recebemos dos outros. Deixe seu coração se espandir a cada dia mais, possibilite a você conhecer novas pessoas e deixe seu coração identificar as que podem ter algum significado em sua vida. Mas tenha certeza que o amor que você reservou para aqueles que já não estão por perto fisicamente não vai perder a importância, nem o foco, muito menos o tamanho do sentimento que os tornaram amigos.
Aos amigos que espero que tenham certeza da importância que têm na minha vida,
Jéssica Porciuncula de Souza.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um só amor?


"Um beijo - um beijo só! eu não pedia

Se não um beijo seu,

E nas horas do amor e do silêncio

Juntá-la ao peito meu!"


Esses versos pertencem a poesia "O Poeta" de Álvares de Azevedo. Se encontra no livro Lira dos Vinte Anos, que eu comecei a ler pelo nome me parecer muito sujestivo,hehe. E me surpreendeu muito. Uma das pessoas com o maior dom pra falar de amor, dos poetas que tive conhecimento. Talvez seja crueldade falar assim, mas talves simplesmete ele diga as coisas que mais me tocam e fazem pensar no amor. Esse poeta morreu aos 21 anos, que triste. Mas escreveu tanto sobre o amor e sobre sua "amada" que me deixa muito, mas muito curiosa para saber se os poemas eram todos pra mesma moça dos cabelos escuros e pele pálida...ou se ele escrevia para cada mulher um poema diferente.


Talvez você esteja pensando "o que isso interfere pra mim?" mas eu realmente queria saber... Será que nos seus 21 anos ele conseguiu amar uma só pessoa?


Será que Shakespeare escrevia coisas tão lindas por ter um grande amor? Será que todas as musicas que John Lennon cantava era pra Yoko Ono? Será que Billy Joel escreveu a música Vienna tentando ajudar sua grande paixão a viver a vida?


hahaha... sim minha cabeça pensa coisas sem sentido para alguns, mas tudo isso tem uma razão. Se alguém conseguiu viver a vida em busca de uma única pessoa e , tendo-a ou não, foi feliz isso me vale muito.


Quem nunca quis ser A PESSOA para alguém que estava distânte, e essa distância pode ser física ou emocional, ou ambas? Quem nunca sentiu vontade de dar um abraço, um beijo ou um simples sorriso maior do que a ocasião permitia por saudade? Quem nunca pensou que ia morrer amando alguém e que aquilo não ia acontecer do modo esperado?


Ah são tantas coisas que passam pelas nossas cabeças quando pensamos no amor... E nem sempre chegamos a alguma conclusão. Mas à mim cabe sonhar, pois se uma coisa é pra ser extraordinária ou maravilhosa, como os apaixonados dizem ser, que seja uma grande ilusão também, então sonho que Álvares de Azevedo não foi um boemio e sim um eterno apaixonado e que a moça que ele se referia era uma só... Sonho que Shakespeare escreveu tanto sobre o amor por experiência, mas experiência com seu grande amor... E se não foi bem assim os fatos, não faz mal...


O que importa talvez seja eu acreditar que alguém, que talvez até negue que o amor pode acontecer, ou diga "comigo não é assim" , ao encontrar a pessoa certa esquece os outros amores e consiga viver por outra pessoa.



Porciuncula de Souza

Reencontro


E eu que havia desistido

da utopia de alguém encontrar,

encontro o que estava irrustido

em alguém que nem posso tocar.



-Foi o destino! - já cogitei

coisas na hora em que devem estar.

Mas foi aí que notei

que deixamos a razão para podermos amar.



Teu amor me faz bem

e assim posso olhar além,

e tudo que nos possa atrapalhar,

esses impecílios, deixo de considerar.



Quanto a isso,

passado...

futuro...

perdem o foco.



O presente me consome!

Me consime em ser feliz,

feliz por reencontrar quem sempre quis.









... Sim eu gosto de escrever... Sim eu penso como uma menininha esperançosa as vezes... Sim eu escrevo só pelo gosto de escrever... haha. Aí foi mais uma das minhas horas e horas mergulhada em ilusões...e afirmo uma coisa: Isso me faz tão bem!



Porciuncula de Souza

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

E quanto eu aprendi?


Aprendi que a vida pode nos surpreender

e em segundos após já nos aborrecer,

no tédio de olhar o relógio marcar

as horas de um dia que vai acabar.


Que a justiça é um senhor experiente

que não se faz de amigo, nem de confidente,

mas que aparece na hora oportuna

Com lições mais valiosas que uma fortuna.


Que o amor não precisa nos decepcionar,

e que só pensando assim poderemos contornar

o amor fútil que a sociedade nos impõe

e aprenderemos tudo o que o amor compõe.


E confundimos tristeza com decepção,

pois tristeza pode ser nossa culpa e decepção não.

E a tristeza muitas vezes é um ponto de vista

e que precisamos viver mais e sermos menos calculistas.


E que enquanto diminuimos os outros nós vamos baixo.

E que ficamos felizes de pensar "na sociedade me encaixo".

Até que vemos que nos encaixar não faz sentido

e que seguir um grupo pode ser bem dolorido.


Até o dia em que crescemos por perceber

que ser único é o que nos faz florescer.

E que pontos de vista são para se ouvir,

mas os nossos principios ninguém deve destruir.


E principalmente vemos

que tudo nunca saberemos.

Que há coisas que não cabe a nós saber.

E que a humildade de se permitir aprender

tudo aquilo que está nos sendo ensinado,

é o que nos dará o prazer de ser respeitado.


Porque a chave da vida está com quem quer viver

E quem... já fez de "tudo", viu de "tudo" e sabe "tudo"

não tem mais nada pra fazer.




Jéssica Porciuncula de Souza

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Solidariedade


Venha comigo

Me dê a mão

Estenda a outra...

Pegue em mais uma mão.

Sorria sempre

Gire no mesmo sentido do grupo.

Nesta brincadeira de roda

O faz-de-contas

Alegra o coração.



Venha comigo

Mê de a mão

Estenda a outra

Para distribuir o pão.

Fale sempre palavras justas

Semeie compaixão.



Venha comigo

Me dê a mão

Estenda a outra

Não diga não.

Veja pelo cego;

Ande pelo aleijado;

Ame pelo cético;

Sorria com o coração.



Magru Floriano.



Cada vez mais as pessoas estão fugindo mais e mais e esquecendo a solidariedade. Será que é por falta de compaixão? Todos os fatos e tragédia que ocorrem fazem as pessoas ficarem "secas" e "duras" com os outros e até consigo mesmo como proteção. Afinal o que os olhos não veem o coração não sente, não é esse o ditado?

Mas não aceite perder a sua sensibilidade, seus sentimentos e principalmente não deixe de lado tudo que você pode fazer em prol dos outros. Seja alguém que faz a diferença pra alguém. Ame seu próximo e ajude-o com um sorriso imenso.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Muitos me adoram mas nenhum me ama"


Hoje eu ouvi uma frase que me fez pensar muito... Confesso que gostaria de dizer que a li em um "grande" livro daquele "grande" autor , e uso as aspas pois creio que não existem livros e autores pequenos pois todos merecem o devido valor, ou em alguma aula importante, ou até mesmo quem sabe em um grande documentário mas não... Há ouvi em um programa fútil que à primeira vista eu mesmo diria que vê-lo não me acrescentaria em nada. Estava me distraindo com a televisão quando um dos personagens falou "O problema é esse: muitos me adoram mas nenhum me ama!"


E acho que realmente essa é uma realidade cada vez mais viva em todos os tipos de relacionametos que se pode encontrar. Será que as pessoas já sofreram tanto que não se permitem mais esse tipo de sentimento? Será que ficar mais de um determiando com a mesma pessoa ficou tão futil ou tão "enjoável"?


O que se considera uma burrice hoje é estar com uma única pessoa e ainda pensar que ela é aquila que pode te fazer feliz à cada dia. Tremenda inversão de valores...


E hoje eu digo : Enjoe dos que te adoram... Despreze-os... Deseje ser amada! E se não for , apenas agradeça por ter descoberto que aquilo não era o suficiente para você, e tenha certeza que não lhe faria bem... viver pela metade nunca deve ser considerada uma alternativa.


Goste de ser amada, de ser admirada e de fazer a diferença pra alguém...mesmo que já faça tanto tempo que você tenha se sentido assim que não lembre mais. Mas mesmo assim não se contente com metades... Ninguém foi feito pra viver assim.


"Eu não sou assim"

"O problema não é você sou eu"

"Comigo é assim"

"O importante é que estamos nos divertindo"

"Eu já sofri tanto que agora é assim"


ahhhhh... mande tudo isso pro espaço! E creia isso deixa você com uma sensação de liberdade e auto-controle que nada merece ser colocado no lugar...

Aceite apenas o inteiro!


Se dê o valor que você merece e tudo isso vai parecer facil, e quem é pequeno e só sabe fazer as coisas pela metade também será inútil para sua vida!
kiss =*

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

GRAVAÇÃO - Carlos Drummond de Andrade


- PRONTO, tá ligado. Posso começar?
- Pode.
- O senhor se sente realizado?
- Por que você quer saber isso?
- Nada não. O professor é que mandou lhe perguntar.
- O professor tem interesse em saber se eu me sinto realizado?
- Sei não senhor.
- Então diga ao professor que venha me procurar.
- Pra quê?
- Para eu lhe perguntar se ele se sente realizado.
- O senhor vai perguntar isso a ele?
- Vou.
- O senhor também está estudando? Nessa idade, poxa!
- Quê que tem? Toda idade é boa para estudar, a gente não acaba nunca de saber as coisas. Mas não estou estudando não.
- Então por que vai perguntar isso ao professor?
- Porque se ele quer saber se eu me sinto realizado, eu também quero saber a mesma coisa dele. Indiscrição por indiscrição.
- Gozado... Mas se o senhor fizer isso não bota o meu nome no meio, porque vai dar grilo. Vê lá, hem.
- Fique descansado. Não vou comprometer você.
- E o senhor só vai responder a minha pergunta depois de falar com ele? E se ele não responder? Se demorar? Tenho de entregar esta entrevista até quinta-feira.
- Bem, eu respondo agora mesmo.
- Então responde, vamos lá.
- Primeiro eu preciso saber: o que é se sentir realizado?
- O senhor não sabe?
- Para dizer o que eu sinto, quero saber antes se o que eu sinto é o mesmo que se deve sentir quando se está realizado, ou se julga estar. E para isso é preciso saber o que é estar realizado.
- Poxa, não complica.
- Estou complicando, meu querido? Minha intenção era simplificar, esclarecer. O que é mesmo se sentir realizado?
- Ora! Se sentir realizado é... quer dizer... Não sei explicar muito bem, mas o senhor entende, né?
- Mais ou menos. Quer dizer: menos. E você?
- Se o senhor não entende bem, eu é que vou entender?
- Então, como é que eu posso responder?
- Ué, o senhor é o entrevistado, o que sabe das coisas.
- E quando não sei!
- Não sabe se está realizado?
- Não sei nem o que é realizado.
- Corta essa. Não vai me dizer que não tem dicionário em casa.
- Tenho alguns, mas em vez de me tirarem as dúvidas, me acrescentam outras.
- Desculpa, mas o senhor é enrolado, hem! Será que não achou o significado de realizado?
- Achei quatro ou cinco, Quer ver? Olhe aqui, O primeiro é o de coisa ou negócio que se realizou, que se tornou real. Será que me tornei real? E antes não era? Quê que eu era então? Fantasma? Projeto?
- Assim o senhor me funde a cuca.
- Não tenho intenção.
- E os outros significados?
- No fim, está o neologismo, e aí é que - desculpe a expressão, que não costumo usar, mas me deu vontade – aí é que a vaca vai pro brejo. Aqui está: "indivíduo realizado: dito por uma pessoa, de si própria, quando considera ter alcançado todos os seus objetivos no terreno ético ou no de suas atividades profissionais ou artísticas."
- Tá legal.
- Legal no papel, mas e dentro de mim '?
- Dentro do senhor o quê?
- Quais são meus objetivos no terreno ético, ou, mais modestamente, no terreno de minhas atividades profissionais ou artísticas? Tenho objetivos éticos definidos? Quais são? São meus ou me são impostos ou sugeridos pela educação e pela conveniência social ? Se fossem exclusivamente meus, quais seriam? E em minhas atividades práticas ou criativas? Que é que eu pretendo? Pretendo sempre as mesmas coisas? Não mudo de alvo? Não danço conforme a música ou até sem ela e contra ela? Que é que eu sei de positivo a respeito disso, ao longo de minha vida? Que pretendia eu há 20 anos'! Há 10? Na semana passada? Me procure depois de eu morrer. Aí então, posso dar balanço.
- Chega! Chega!
- Estou caceteando você ?
- Não está enchendo não. É que a fita acabou. Até que a entrevista foi bacana, um tremendo barato. O professor vai delirar, a turma também. Um cara que não sabe se está realizado nem o que é realizado! Papo findo, tchau!



...Se você também não perde seu tempo pensando em suas realizações e gosta mais de pensar em tudo que pode fazer para um dia chegar onde quer... e tbm não tem muita pressa de chegar lá, desde que chegue... Certamente vai gostar dessa cronica, como eu.


beijos...