segunda-feira, 2 de maio de 2011

Segredos da menina...




E ela disponibilizava seu tempo para falar com ele, para estar com ele e para fazer qualquer coisa para que, ao menos em sua mente, a sua presença fosse real.
Ela trocava seu caminho, para ver se a "sorte" o traria, e mesmo que não o visse, por muitas e muitas vezes pensava ter o visto. Ela fazia tudo que pudesse para ajudá-lo, em todas as áreas que lhe fosse possível, mesmo que isso significa-se ouvir de seu passado com outras meninas.
Sempre andava com um sorriso estampado no rosto, esperando que em algum canto ele a estivesse olhando, e que visse o quanto ele à fazia bem, mesmo que ela não deixa-se isso claro em palavras. Tentava ser a amiga, disponível para todas as horas, aquela que muitas vezes era vista como um "anjo", mas que só queria ser vista como mulher.
Mesmo que muito interessada em tudo que eles falavam, sua mente só fitava seu rosto e parte dela só pensava no seu feitio, na sua simetria. Mas ao mesmo tempo que o observava, não tinha a audácia de fitar seus olhos por muitos segundos, pois seria fatal e tudo que ela guardava a sete chaves estaria em jogo.
E por este segredo, os dias se passam onde ela faz tudo por ele e ele não percebe nem um segundo. Por vezes desconfia, mas em grande parte do tempo só acredita piamente que ela é bondosa, caridosa, amiga, confiável... só não acredita que ela pode ser a mulher para ele, ou por não saber que a possibilidade de tê-la é real ou por vontade de apenas manter a forte amizade.
E ela disponibilizava seu tempo para falar com ele, para estar com ele e para fazer qualquer coisa que para que, ao menos em sua mente, a sua presença fosse real. E ele? De nada sabia...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Saudade Canonizada


"No dia em que ocê foi embora,eu fiquei sentindo saudades do que não foi.Lembrando até do que eu não vivi, pensando nós dois." O último Pôr-do-sol - Lenini


A insistência em sentir saudade do que não existiu sempre me assombra. Talvez seja um dos maiores defeitos que eu possa encontrar em mim, e olha que sei que a lista é vasta, diversificada e monótona.


O primeiro passo é a saudade em si. Saudade de um lugar, de uma pessoa ou de alguma situação, ou da mistura destruidora delas. Fico pensando em tudo que vivi nesse período, que só pode ser medido por mim, por ser tão relativo e pessoal, pois sentimos saudade das coisas boas e quando as coisas boas chegam ao fim sempre as consideramos fatos curtos, raios de luz que passaram e logo foram cobertos por alguma montanha.


Em seguida vem a criação do que não ocorreu, começo a pensar em como teria sido, em qual seria o desenrolar se não tivesse acabado. O tão conhecido " E se..." . Então começa a criação de fatos que deixam você com mais vontade de que o fim não tivesse chego, pois aí não ouso colocar fins trágicos e erros maiores, só o fim que eu gostaria, o meu "e viveram felizes para sempre". Mas é um felizes para sempre que só foi elaborado por uma pessoa, por mim, a única que sabe tudo que eu quero e da maneira que eu quero, sem a opinião de outros e sem interferência de nada, o que nos faz pensar que tudo teria sido perfeito se tivessemos tentado um pouco mais. Tola irônia...


A irônia de crer em coisas que só fazem parte do meu pensamento, de mais ninguém. E assim cresce a saudade, por ter feito uma coisa boa se tornar quase perfeita, e assim misturando fatos e sonhos canonizo o "ocorrido" em meu ser e torno-o uma saudade eterna...



quinta-feira, 31 de março de 2011



Se é pra ver,


que seja com os olhos de um sonhador;


Se é pra cheirar,


que seja com o olfato de um cão;


Se é para degustar,


que você dê inveja aos melhores gourmets;


Se é para ouvir;


que seja com o coração;


Se é pra sentir,


que seja com todo o seu corpo.


Pois se assim o fazer,


você vai amar com todos os seus sentidos,


com toda a intensidade


com toda sua alma.




Mas se você não for assim,


não arrisque entrar no meu mundo.


Pois ele lhe parece-rá loucura,


e de fato é... mas pra mim


só os loucos sabem viver cada segundo


com a veracidade que muitos,


levam a vida toda buscando.










:*

terça-feira, 29 de março de 2011


"Aquilo que sou,

tudo o que constitui o meu ser,

é um conhecimento que têm aqueles que ficaram o tempo suficiente...


Tempo suficiente para me conhecer

e para não precisar jamais me perguntar: - Quem tu és? "


Jéssica Porciuncula de Souza

quarta-feira, 23 de março de 2011

Aparência


E eu me vejo no espelho, e o que vejo parece tão pouco e tão superficial para se seguir uma vida. Então tiro os olhos do reflexo e os fecho, e assim aprendo a ver além do que se pretende. E esta é uma decisão que só se pode tomar por vontade própria. Decisão essa, que pode ser tomada por cansar da superficialidade de uma vida guiada pelas aparências, cansar de algumas vezes se menosprezar por um padrão específico, que parece ser imposto para que ninguém o alcance, ou cansar de uma sociedade que quer fazer, até mesmo das pessoas, produtos em massa, onde cada vez mais o especial é ignorado e o igual é absorvido na mente das pessoas como o certo a se seguir.

Fixo agora meus pensamentos em tudo aquilo que realmente pode fazer um "ser humano" se tornar ser humano de verdade, de alma, de coração... Penso em tudo aquilo que me torna quem eu sou, que mesmo tendo falhas intermináveis em meu caráter, aquilo tudo me torna a pessoa que as pessoas identificam como eu. E ainda sei que todas as coisas que existem em mim que podem produzir algo de bom para os outros, ou até mesmo pra mim, podem ser maiores do que meus defeitos e podem superá-los quando eu entender que eu posso ser um produto são em uma sociedade doente.

E vendo cada centímetro de tudo aquilo que o espelho não me mostra, penso que o conjunto faz o que eu sou hoje. Assim como quando sinto não é só o meu coração que sente, mas sim o meu corpo inteiro, quando vivo minha vida, não posso viver só pelo que se pode ver por fora, pois assim só me permito viver pela metade, ou nem isso pois a aparência não corresponde a nem 1% do que somos.

Começo a sentir uma felicidade por notar que tenho coisas tão especiais dentro de mim e as ruins parecem começar a ir embora, e me sinto mais completa por pensar que as pessoas que convivem comigo, aquelas que posso chamar de amigos, estão ali pelo que eu sou por dentro, pois a aproximação por aparências não dura, é fútil e mesmo existindo muito são tão superficiais que saem da nossa vida o mais rápido do que chegaram.

E isso se torna um exercício diária, de lutar para quando abrir os olhos não me preocupar com aquilo que vejo, se me agrada ou não ou, o mais perigoso, se agrada os outros ou não, mas sim com aquilo que sei que está ali e que os outros só terão a chance de conhecer se a sua aproximidade for sincera em me conhecer como pessoa, uma pessoa com defeitos e qualidades, um ser humano de verdade.



Jéssica Porciuncula de Souza

segunda-feira, 21 de março de 2011

Laços

Tive os melhores amigos que uma criança poderia querer.
Amigos que estavam comigo em quase todas as áreas da minha vida, na escola, no clube, na igreja... onde eu estivesse eles estavam, e passei grandes fases da minha vida compartilhando com eles as risas, as brincadeiras de boneca, de pega-pega de qualquer coisa, mas eles sempre estavam ali.
Havia também os amigos que eram amigos dos meu pais, e assim estavam sempre perto, feriados, acampamentos, churrascos, natais... Nossa é dificel lembrar algo de importante onde eles não estivessem. E era muito bom! Era como se eles fossem os parentes que nós podiamos escolher. Acho que tem uma frase mais ou menos assim que diz que amigos são os parentes que o coração escolhe... ou não, minha memória não é tão boa.
Cada amigo que eu tinha parecia suprir uma parte da minha vida, uns gostavam mais da natureza, outros mais de conversar, outros se achavam os santos casamenteiros, outros simplesmente era ótimo ter ele por perto mesmo que não falassem nada, e outros era impossivel estarmos juntos e não falarmos nada. Tinha os que faziam parte do grupo desde o início e haviam aqueles que foram se agregando, mas o mais engraçado é que parece que eles sempre fizeram parte do grupo, como se estivessem programados a estarem ali. Agradeço a Deus por fazer essas pessoas parte da minha vida e à meus pais que me permitiram tê-los sempre por perto... E a eles que me aturavam mesmo eu sendo uns bons anos mais nova e imatura que eles.
As circunstâncias da vida as vezes nos afasta das pessoas que queriamos mais ter por perto. Hoje eu sei que eles estão bem, que também sentem falta daquele convívio mas não os tenho tão perto. E por muito tempo fiquei conhecendo pessoas superficialmente e sempre tendo medo de qualquer tipo de aproximação, talvez só por egoismo, não queria compartilhar situações maravilhosas com mais ninguém, só queria as lembranças daqueles meus primeiros amigos. Ou talvez por medo de apagar de alguma forma aquelas memórias.
Hoje eu sei que amizade verdadeira como aquela, não se apaga, e que podem vir pessoas maravilhosas e especiais, e estas poderão ter um espaço no meu coração, mas que o espaço que está a anos para aqueles queridos amigos sempre vai estar lá, ou do mesmo tamanho OU maior.
O coração não têm espaço limitado, o que sentimos pelas pessoas pode ser imenso ou do tamanho de um grão de mostarda, o coração se adapta a quantidade de amor que doamos e recebemos dos outros. Deixe seu coração se espandir a cada dia mais, possibilite a você conhecer novas pessoas e deixe seu coração identificar as que podem ter algum significado em sua vida. Mas tenha certeza que o amor que você reservou para aqueles que já não estão por perto fisicamente não vai perder a importância, nem o foco, muito menos o tamanho do sentimento que os tornaram amigos.
Aos amigos que espero que tenham certeza da importância que têm na minha vida,
Jéssica Porciuncula de Souza.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um só amor?


"Um beijo - um beijo só! eu não pedia

Se não um beijo seu,

E nas horas do amor e do silêncio

Juntá-la ao peito meu!"


Esses versos pertencem a poesia "O Poeta" de Álvares de Azevedo. Se encontra no livro Lira dos Vinte Anos, que eu comecei a ler pelo nome me parecer muito sujestivo,hehe. E me surpreendeu muito. Uma das pessoas com o maior dom pra falar de amor, dos poetas que tive conhecimento. Talvez seja crueldade falar assim, mas talves simplesmete ele diga as coisas que mais me tocam e fazem pensar no amor. Esse poeta morreu aos 21 anos, que triste. Mas escreveu tanto sobre o amor e sobre sua "amada" que me deixa muito, mas muito curiosa para saber se os poemas eram todos pra mesma moça dos cabelos escuros e pele pálida...ou se ele escrevia para cada mulher um poema diferente.


Talvez você esteja pensando "o que isso interfere pra mim?" mas eu realmente queria saber... Será que nos seus 21 anos ele conseguiu amar uma só pessoa?


Será que Shakespeare escrevia coisas tão lindas por ter um grande amor? Será que todas as musicas que John Lennon cantava era pra Yoko Ono? Será que Billy Joel escreveu a música Vienna tentando ajudar sua grande paixão a viver a vida?


hahaha... sim minha cabeça pensa coisas sem sentido para alguns, mas tudo isso tem uma razão. Se alguém conseguiu viver a vida em busca de uma única pessoa e , tendo-a ou não, foi feliz isso me vale muito.


Quem nunca quis ser A PESSOA para alguém que estava distânte, e essa distância pode ser física ou emocional, ou ambas? Quem nunca sentiu vontade de dar um abraço, um beijo ou um simples sorriso maior do que a ocasião permitia por saudade? Quem nunca pensou que ia morrer amando alguém e que aquilo não ia acontecer do modo esperado?


Ah são tantas coisas que passam pelas nossas cabeças quando pensamos no amor... E nem sempre chegamos a alguma conclusão. Mas à mim cabe sonhar, pois se uma coisa é pra ser extraordinária ou maravilhosa, como os apaixonados dizem ser, que seja uma grande ilusão também, então sonho que Álvares de Azevedo não foi um boemio e sim um eterno apaixonado e que a moça que ele se referia era uma só... Sonho que Shakespeare escreveu tanto sobre o amor por experiência, mas experiência com seu grande amor... E se não foi bem assim os fatos, não faz mal...


O que importa talvez seja eu acreditar que alguém, que talvez até negue que o amor pode acontecer, ou diga "comigo não é assim" , ao encontrar a pessoa certa esquece os outros amores e consiga viver por outra pessoa.



Porciuncula de Souza